
Perfil Paraguai
SUMÁRIO
1. Introdução
2. Características demográficas
3. Posição na família
4. Afazeres domésticos
5. Emprego doméstico (ou o trabalho doméstico
pago)
6. Educação
7. Ocupação
7.1 Desemprego
7.2 Posição na ocupação
7.3 Ocupação principal
8. Níveis de renda e eqüidade de gênero
9. Síntese de ineqüidades de rendimentos
Bibliografia
1. Introdução
O Projeto Condição
feminina nos países do MERCOSUL: Sistema integrado de Indicadores
de Gênero nas Áreas de Trabalho e Educação (SIIG/Trab/Ed), desenvolvido
através do Instituto Brasileiro de Administração Municipal (IBAM)
do Rio de Janeiro (Brasil), assumiu a responsabilidade pela construção
de uma visão comum das características das relações de gênero
nestas duas áreas de modo a contribuir, através de sua visualização,
para a redução das desigualdades existentes entre homens e mulheres.
A Área de Trabalho é considerada um espaço de articulação entre
os indivíduos e a estrutura econômica, no qual, além das variáveis
estritamente econômicas, outros aspectos de ordem cultural têm
um impacto diferencial que condicionam o comportamento tanto das
exigências quanto dos benefícios do mercado voltado para o trabalho
feminino. A educação pode ser considerada como uma ferramenta
que possibilita e facilita uma inserção mais efetiva (e eqüitativa)
das mulheres no mercado de trabalho, embora também deva considerar-se
aqui o peso que as variáveis sócio-culturais têm nos diferentes
contextos.
O Estudo coordenado pelo IBAM vem sendo realizado com a participação
dos quatro países do MERCOSUL (Argentina, Brasil, Paraguai e Uruguai),
cada um deles contribuindo para a interpretação do comportamento
dos indicadores construídos especificamente para a realização
deste estudo. As bases de dados são oficiais e têm como origem
as Pesquisas de Domicílios de cada país correspondentes aos anos
de 1995 e 1999. A definição dos anos nos quais o Estudo SIIG/Trab/Ed
se baseia advêm da necessidade de combinar a pertinência da informação
levantada mais recentemente com a possibilidade de definir indicadores
que garantam a comparabilidade. Por esta mesma razão, em alguns
casos as definições das variáveis selecionadas foram padronizadas
entre os países, modificando embora não de maneira substancial
-- as variáveis utilizadas internamente.
O SIIG/Trab/Ed foi construído respeitando o nível máximo de desagregação
possível, o que vem a oferecer uma utilidade adicional já que
fornece informações para o interior dos países, tanto em nível
departamental quanto distrital.
Os resultados do estudo fornecerão informações estatísticas de
gênero relevantes, que incidirão na definição de políticas públicas
pertinentes às diferentes instâncias dos governos nacionais e
do MERCOSUL, assim como no funcionamento e gestão dos governos
locais.
No caso do Paraguai, este estudo deve ser inserido entre os demais
processos que vêm sendo desenvolvidos desde o início da transição
democrática (1989), e que são: i) a democratização da informação
como parte da modernização institucional da Direção Geral de Estatísticas,
Pesquisas e Censos; ii) a promoção de políticas públicas de gênero
no âmbito do Plano Nacional de Igualdade de Oportunidades para
a Mulher, da Secretaria da Mulher e iii) o processo de Descentralização
do Estado e das políticas públicas.
O fato do SIIG/Trab/Ed se concentrar na elaboração de indicadores
de gênero, acrescenta a possibilidade de avançar mais em um campo
que, embora tenha conseguido resultados em nível nacional, ainda
é incipiente e heterogêneo em níveis de governos locais.
Assim, a disponibilidade de indicadores sobre trabalho e educação
permitirá também realizar uma primeira avaliação, em nível nacional,
do cumprimento dos Objetivos do Plano de Igualdade de Oportunidades
e, em nível local, fazer com que os governos departamentais disponham
de informações atualizadas baseado nas quais seja possível desenhar
programas econômicos e sociais conjuntos que permitam detectar
não apenas os problemas mais urgentes como também os indicadores
que cada comunidade têm se comprometido atingir.
O período selecionado para o Estudo de 1995 a 1999 tem, no Paraguai,
significados particulares nas áreas de Emprego e Educação. No
primeiro, de acordo com pesquisas realizadas pela OIT (2000),
constatou-se que o mercado de trabalho, em geral, e o feminino,
em particular, sofreram transformações devido: i) ao impacto da
crise do setor financeiro (em 1995 e 1997), ii) à recessão que
desencadeou o fechamento do comércio por triangulação, especialmente
na fronteira com o Brasil, e iii) à pressão no mercado exercida
pela mão-de-obra que retornou da Argentina.
Entre as transformações mais importantes registradas na força
de trabalho feminina constatou-se que, em sua maioria, esta já
não está inserida nos serviços, mas tem diversificado sua inserção,
compartilhando esta categoria com a do comércio (especialmente
o comércio informal urbano). Da mesma forma, registrou-se um crescimento
das mulheres empregadas pelos governos municipais (escolhidos
por eleição popular direta a partir de 1991) e a retração do setor
manufatureiro, que foi deslocado dos centros mais urbanizados
para os de menor população urbana no interior do país. A partir
destas mudanças observa-se uma certa ruralização do que, até inícios
da década de noventa, era considerada como a estrutura ocupacional
típica das mulheres urbanas. Nas cidades maiores e mais desenvolvidas
registrou-se um ligeiro encurtamento das brechas entre homens
e mulheres, tanto na diversificação das ocupações quanto na variável
de renda. Paralelamente, a segregação e a segmentação, tão típicas
da mão-de-obra feminina, tendem a migrar para as cidades de porte
médio da periferia da área Metropolitana e das grandes cidades
fronteiriças nos Departamentos de Alto Paraná e Itapúa, acelerando
a proletarização do setor campesino. Estas mudanças também têm
também um impacto diferenciado de gênero já que as mulheres camponesas
não se reconhecem como trabalhadoras quando realizam tarefas rurais,
mas se consideram economicamente ativas quando desempenham trabalhos
mais urbanos. Os trabalhos do setor industrial e manufatureiro
são justamente os que estão migrando para a periferia urbana,
no limite com a área rural.
Mesmo assim, subsiste uma forte segregação na estrutura ocupacional
das mulheres, que reúne somente 5% delas nas ocupações mais rentáveis,
enquanto 25% se concentram no extremo oposto das ocupações menos
rentáveis. A inserção dos homens tende a ser inversa, especialmente
nas áreas de menor modernização do mercado de trabalho.
A educação também sofreu mudanças importantes durante a década
de noventa, sendo a principal o início da Reforma do Ensino que
incluiu tanto a renovação curricular para as classes estudantil
e docente como a aprovação de importantes reformas legislativas,
entre as quais se deve destacar a obrigatoriedade e gratuidade
do ensino pré-primário até o escolar básico, com nove anos de
duração. A tomada desta única medida possibilitou a permanência
dos estudantes entre a sexta e a sétima série escolar, que anteriormente
representava o ponto mais importante de deserção do sistema educacional.
Outro fenômeno foi o surgimento de centros educionais de nível
médio, criados pela iniciativa privada, especialmente em cidades
urbanas de porte médio e na zona rural. Estes centros têm se caracterizado
por sua infra-estrutura e solvência educacional insuficiente.
Porém, têm provocado um forte impacto no incremento de matrículas
para a instrução de nível médio. Nos últimos anos da década de
noventa, a recessão econômica significou uma migração estudantil
muito forte dos centros particulares de ensino para os colégios
nacionais do setor público. Neste deslocamento foram afetados
também os centros de nível médio mais precários, já referidos
anteriormente. Isto quer dizer que, embora tenham sido registrados,
durante a década, um forte incremento na matrícula secundaria,
promovido pela reforma legislativa, e uma explosão de pequenos
colégios, este fenômeno tende a diminuir e é possível prever,
inclusive, uma nova retração nas matrículas escolares de nível
médio.
Este é o contexto nacional do Paraguai no qual os indicadores
do SIIG/Trab/Ed. serão interpretados.
2. Características demográficas
O Paraguai possui 406.752 km2 e uma densidade demográfica
de 13,2 hab/km2, com uma população total de 5.634.342
habitantes em 19991
No que se refere à distribuição de sua população, ela está fortemente
concentrada na cidade de Assunção (10,5% e 4.767,7 hab/ km2);
no Departamento Central que inclui a área metropolitana (24,8%
e 518,8 hab/ km2) e no Departamento de Alto Paraná
(11,25% e 44,8 hab/ km2). Juntos, Assunção e Central
reúnem mais de um terço da população do país (35,3%); enquanto
toda a região do Chaco, que ocupa 60% do território nacional,
é habitada por menos de 2% da população.
O contexto demográfico do Paraguai, historicamente, caracterizou-se
por sua alta concentração na área da capital (Assunção) e pelas
fortes correntes migratórias internas com destino urbano (de longa
distância no passado e de distância muito curta na última década).
A recente diminuição de seus indicadores de mortalidade (taxa
bruta de mortalidade de 5,3 para cada mil pessoas), junto com
as dificuldades de diminuição de seus níveis de fecundidade (taxa
global de 4,1 filhos por mulher), resultam num alto crescimento
demográfico (taxa de crescimento médio total de 2,6 % ao ano).2
Recentemente, a distribuição espacial da população tem sido afetada
pelo crescimento dos centros urbanos3
nas cidades de porte médio do interior do país, embora sem chegar
ainda a modificar a forte concentração na área central. Os departamentos
de Alto Paraná; San Pedro, Caaguazú e Itapúa estão se desenvolvendo
como alternativas urbanas ao crescimento da zona Central; enquanto
Concepción e Misiones, além dos Departamentos da Região do Chaco,
praticamente não conseguiram incrementar seu volume de população,
o que poderia levar a pensar que os processos de expulsão migratória
se mantêm, levando-se em consideração que as taxas de fecundidade
nesses departamentos continuam sendo das mais altas.
A distribuição por sexo em nível nacional está equilibrada, com
uma ligeira tendência à supremacia feminina. O fato de que as
mulheres representam quase 1 ponto percentual a mais que os homens
já não pode ser interpretado -- como costumava sê-lo historicamente
-- como uma conseqüência das guerras internacionais e sim como
um processo lento, porém sustentado, de envelhecimento da população
e que coincide com uma expectativa de vida mais prolongada das
mulheres (72,3 anos nas mulheres e 67,8 anos nos homens, para
1999).
Porém, na análise por departamentos, este equilíbrio só é observado
nos departamentos de Guairá, Itapúa e Pdte. Hayes. A diferente
distribuição espacial por sexo corresponde às diferenças produtivas
dos departamentos, com uma maior presença feminina naqueles mais
urbanizados e com supremacia masculina nos de vocação agrária.
Assim, pode-se observar claramente a maior presença de mulheres
na área de Assunção e Central; enquanto os homens estão mais concentrados
em San Pedro, Caaguazú e Caazapá.
As diferenças econômicas, por sua vez, são acompanhadas pelos
diferenciais migratórios, que fazem de Caazapá, o exemplo mais
conhecido, um departamento de povoamento antigo, de produção rural
e cujos centros urbanos não foram desenvolvidos. Este departamento
tem uma população muito escassa (2,8%), predominantemente masculina.
Tabela
1
Proporção de homens e mulheres sobre a população
total
| Departamentos |
Homens |
Mulheres |
| 1999 | 1995 | 1999 | 1995 | | Asunción | 46,2 | 46,1 | 53,8 | 53,9 | | Concepción | 48,4 | 49,1 | 51,6 | 50,9 | | San Pedro | 53,7 | 52,8 | 46,3 | 47,2 | | Cordillera | 51,7 | 51,2 | 48,3 | 48,8 | | Guairá | 50,0 | 48,9 | 50,0 | 51,1 | | Caaguazú | 50,9 | 52,5 | 49,1 | 47,5 | | Caazapá | 51,0 | 52,0 | 49,0 | 48,0 | | Itapúa | 49,8 | 50,5 | 50,2 | 49,5 | | Misiones | 47,2 | 47,8 | 52,8 | 52,2 | | Paraguarí | 50,7 | 52,4 | 49,3 | 47,6 | | Alto Paraná | 51,0 | 50,8 | 49,0 | 49,2 | | Central | 47,1 | 49,2 | 52,9 | 50,8 | | Ñeembucú | 46,7 | 50,5 | 53,3 | 49,5 | | Amambay | 48,8 | 48,0 | 51,2 | 52,0 | | Canindeyú | 50,9 | 52,6 | 49,1 | 47,4 | | Pdte. Hayes | 49,6 | 47,5 | 50,4 | 52,5 | | PARAGUAI | 49,2 | 50,0 | 50,8 | 50,0 |
|
O departamento
de Caaguazú, situado na região central do país, foi nos últimos
vinte anos o ponto de cruzamento das correntes migratórias em
direção ao leste e norte do País. A zona é um assentamento de
atividades relacionadas com o armazenamento e industrialização
de grãos, processamento de madeira e abate de gado e beneficiamento
inicial de carne. Também é um dos pólos de atração migratória
masculina mais importantes do país. Porém, nesse caso, a presença
de atividades agro-industriais vem acompanhada do crescimento
de atividades manufatureiras em áreas urbanas e semi-urbanas que,
por sua vez, vem acompanhado de um progressivo incremento no número
de mulheres em um departamento que até pouco tempo atrás apresentava
uma supremacia masculina (52,5% em 1995 e 50,9% em 1999). Tudo
faz crer que nos próximos anos a presença das mulheres no departamento
seja ainda maior.
Alto Paraná e Itapúa são também dois departamentos que mantêm
um relativo equilíbrio na sua composição por sexo. Em ambos os
casos, embora sejam destinos migratórios masculinos e com assentamento
preferentemente rural, o crescimento de seus principais centros
urbanos e sua localização estratégica na fronteira com o Brasil
e a Argentina, respectivamente, fizeram com que estes departamentos
sejam cada vez mais levados em consideração nas decisões migratórias
femininas.4
Finalmente, temos o caso de San Pedro, onde a presença masculina
é maior devido à migração com destino rural e que inclui, nos
últimos anos, deslocamentos de curta distância oriuneos de departamentos
vizinhos, mas sempre com um destino preferencialmente rural.
Tabela
2
Idade média da população, por sexo. 1995
e 1999
| Departamentos |
Total |
Homens |
Mulheres |
| 1999 |
1995 |
1999 |
1995 |
1999 |
1995 |
| Asunción |
31,1 |
28,0 |
30,2 |
27,1 |
27,1 |
28,9 |
| Concepción |
24,3 |
22,6 |
22,8 |
22,3 |
22,3 |
22,8 |
| San
Pedro |
22,4 |
22,9 |
22,5 |
23,4 |
23,4 |
22,2 |
| Cordillera |
27,6 |
25,2 |
26,6 |
24,9 |
24,9 |
25,4 |
| Guairá |
29,5 |
27,7 |
28,1 |
27,6 |
27,6 |
27,8 |
| Caaguazú |
23,3 |
23,1 |
23,2 |
22,6 |
22,6 |
23,5 |
| Caazapá |
24,2 |
22,9 |
23,8 |
22,9 |
22,9 |
22,9 |
| Itapúa |
23,9 |
22,7 |
23,8 |
22,7 |
22,7 |
22,6 |
| Misiones |
26,7 |
25,7 |
27,0 |
24,8 |
24,8 |
26,5 |
|
Paraguarí |
28,4 |
26,3 |
27,0 |
24,9 |
24,9 |
27,7 |
|
Alto Paraná |
22,6 |
22,1 |
22,6 |
22,3 |
22,3 |
21,9 |
| Central |
23,5 |
24,5 |
23,6 |
23,9 |
23,9 |
25,0 |
| Ñeembucú |
29,3 |
28,4 |
29,2 |
26,7 |
26,7 |
30,1 |
| Amambay |
23,6 |
22,6 |
23,1 |
21,7 |
21,7 |
23,5 |
| Canindeyú |
23,1 |
21,4 |
23,8 |
21,4 |
21,4 |
21,4 |
| Pdte.
Hayes |
23,9 |
23,3 |
22,5 |
23,4 |
23,4 |
23,3 |
| PARAGUAI |
25,0 |
24,3 |
24,6 |
23,9 |
23,9 |
24,7 |
|
No Paraguai,
a manutenção de taxas de fecundidade muito altas é a principal
causa da incrível juventude de sua população.
Em nível departamental, Assunção é de longe a cidade com a população
menos jovem, tendência que se repete nas áreas de povoamento antigo.
Além disso, Assunção é o lugar com a menor taxa de reprodução
(2,6 filhos global).
Nos departamentos com povoamentos mais antigos é possível encontrar
médias de idade mais altas, embora suas respectivas taxas de fecundidade
possam ser das mais altas do país, o que se explica pelo nível
de concentração populacional relativamente baixo. Esta é a situação
em Guairá, Cordillera, Paraguari e Ñeembucú. Todos eles, também,
com um baixo nível de desenvolvimento sócio-econômico e com a
característica de serem regiões de expulsão migratória.
A população mais jovem está assentada nos departamentos de San
Pedro, Alto Paraná; Amambay, Canindeyú, Caaguazú e Itapúa que
são, praticamente todos, de crescimento demográfico recente e
de atração migratória, com exceção de Itapúa, que foi destino
de migrações internacionais em épocas passadas.
Quanto às diferenças por sexo, se pode observar que, quanto mais
antigo for o povoamento maiores são as diferenças de idade entre
homens e mulheres no sentido de um maior envelhecimento da população
feminina que não emigrou.
Sem considerar a variável sexo, se pode observar que a mais baixa
concentração de menores de um ano está na cidade de Assunção.
Este fenômeno não pode ser considerado como característico das
áreas mais urbanizadas do Paraguai uma vez que, por exemplo, o
departamento Central (que é o segundo em termos de concentração
urbana) ainda mantém um nível alto de concentração de menores
de um ano, com um comportamento bem mais semelhante ao das áreas
do interior do país, é como se a transição demográfica ainda estivesse
muito concentrada em Assunção.
Tabela
3
Proporção de pessoas com menos de um ano
sobre a população total
| Departamentos |
Proporção
total |
| 1999 |
1995 |
| Asunción |
1,9 |
2,2 |
| Concepción |
3,9 |
2,3 |
| San
Pedro |
2,8 |
2,3 |
| Cordillera |
2,3 |
2,7 |
| Guairá |
1,6 |
2,1 |
| Caaguazú |
2,7 |
2,9 |
| Caazapá |
2,8 |
3,1 |
| Itapúa |
1,6 |
2,4 |
| Misiones |
0,3 |
2,1 |
|
Paraguarí |
1,5 |
2,1 |
|
Alto Paraná |
3,1 |
3,2 |
| Central |
2,6 |
2,8 |
| Ñeembucú |
0,7 |
1,7 |
| Amambay |
1,1 |
3,7 |
| Canindeyú |
1,4 |
2,2 |
| Pdte.
Hayes |
4,4 |
2,7 |
|
PARAGUAI |
2,4 |
2,6 |
|
Outros departamentos
que também mostram índices importantes de menores de um ano são
Concepción, Alto Paraná, San Pedro e Caazapá, que têm em comum
suas altas taxas de fecundidade. Porém, de acordo com as informações
da Tabela 1, não existe relação entre esta variável e a presença
maior de mulheres nestes mesmos departamentos, o que significa
que no Paraguai ainda persiste o costume tradicional das mulheres
migrantes, em fase reprodutiva, de retornarem a seus lugares de
origem para dar à luz seus filhos (especialmente os primeiros)
e deixá-los ali os primeiros anos de vida, ainda que estejam residindo
em outro lugar. Esta prática é particularmente relevante entre
as trabalhadoras domésticas e as que migram para o exterior, embora
seja um costume que esteja se perdendo entre as que migram a centros
urbanos de porte médio no interior do país.
Tabela
4
Proporção de pessoas de 14 anos e mais sobre a
população total, por sexo.
1995 e 1999
| Departamento |
Total |
Homens |
Mulheres |
| 1999 |
1995 |
1999 |
1995 |
1999 |
1995 |
| Asunción |
75,5 |
71,4 |
34,1 |
31,5 |
41,4 |
39,9 |
| Concepción |
54,9 |
53,6 |
24,5 |
26,1 |
30,4 |
27,5 |
| San
Pedro |
55,6 |
55,5 |
31,0 |
30,6 |
24,6 |
25,0 |
| Cordillera |
63,9 |
57,1 |
32,0 |
29,7 |
31,9 |
27,3 |
| Guairá |
67,5 |
64,2 |
33,5 |
31,8 |
34,0 |
32,4 |
| Caaguazú |
58,8 |
55,6 |
29,7 |
28,5 |
29,1 |
27,1 |
| Caazapá |
60,8 |
57,3 |
31,0 |
30,3 |
29,9 |
27,0 |
| Itapúa |
60,4 |
56,7 |
30,2 |
28,6 |
30,3 |
28,1 |
| Misiones |
65,7 |
59,4 |
30,6 |
28,1 |
35,0 |
31,3 |
|
Paraguarí |
61,9 |
61,4 |
31,0 |
30,0 |
30,9 |
31,4 |
|
Alto Paraná |
60,3 |
60,0 |
30,5 |
30,2 |
29,7 |
29,8 |
| Central |
62,2 |
62,5 |
29,8 |
30,2 |
32,4 |
32,3 |
| Ñeembucú |
67,6 |
65,8 |
32,0 |
31,0 |
35,6 |
34,8 |
| Amambay |
65,1 |
59,3 |
30,2 |
27,7 |
34,9 |
31,5 |
| Canindeyú |
60,9 |
56,7 |
31,4 |
29,8 |
29,5 |
26,9 |
| Pdte.
Hayes |
56,9 |
56,8 |
25,9 |
25,6 |
31,0 |
31,2 |
| PARAGUAI |
62,4 |
60,5 |
30,5 |
29,8 |
31,9 |
30,7 |
|
Continuando
com o mesmo padrão de idades, a população de 14 anos e mais representa
dois terços da população paraguaia, com proporções similares entre
homens e mulheres no nível nacional, mas com diferenças visíveis
internamente, entre os diferentes departamentos. Assim, confirmando
as tendências antes apontadas, nesta variável também se observa
uma maior presença de mulheres em Assunção e, em segundo lugar,
no departamento Central; enquanto Concepción, San Pedro e Caaguazú
apresentam uma maior proporção de população com mais de 13 anos
(mais mulheres em Concepción, mais homens em San Pedro e em proporções
equivalentes em Caaguazú). Nos demais departamentos, as diferenças
por sexo são pouco significativas.
De acordo com os indicadores de idade, Assunção, a cidade capital,
apresenta um perfil diferente ao do resto do país. Na realidade,
tem a média mais alta de idade, a maior concentração de mulheres,
a menor presença de menores de um ano e a maior proporção de população
de 60 anos e mais. É como se todas as variáveis da transição
demográfica estivessem em vigor na capital.
Os demais departamentos com população idosa -- como visto nas
tabelas anteriores -- são os de povoamento mais antigo e de pouca
ou nenhuma atração migratória. Isto quer dizer que sua estrutura
por idade é explicada mais pelos fatores econômicos do que pelos
demográficos. Estes lugares são os mesmos onde também predominam
as mulheres: Cordillera, Guairá, Paraguari, Ñeembucú e Concepción.
Nos departamentos onde se havia encontrado uma maior presença
masculina, a população maior de 60 anos é mais escassa, porém,
mantendo-se um índice mais alto ainda de presença masculina nas
últimas faixas etárias. Nestes lugares, a maior expectativa de
vida das mulheres tem menos peso do que o maior volume de população
masculina. Isto pode ser observado nos departamentos de San Pedro
e Alto Paraná.
Tabela 5
Proporção de pessoas de 60 anos e mais, por sexo.
1995 e 1999
| Departamentos |
Proporção
total |
Proporção
homens |
Proporção
mulheres |
| 1999 |
1995 |
1999 |
1995 |
1999 |
1995 |
| Asunción |
11,4 |
9,3 |
4,6 |
3,9 |
6,8 |
5,4 |
| Concepción |
7,7 |
7,2 |
2,6 |
3,4 |
5,1 |
3,8 |
| San
Pedro |
6,3 |
6,4 |
3,4 |
3,4 |
2,9 |
3,0 |
| Cordillera |
11,0 |
9,5 |
5,0 |
4,9 |
6,0 |
4,6 |
| Guairá |
11,5 |
11,5 |
5,1 |
5,2 |
6,5 |
6,3 |
| Caaguazú |
6,3 |
7,1 |
3,1 |
3,7 |
3,2 |
3,5 |
| Caazapá |
5,8 |
6,8 |
2,6 |
3,3 |
3,1 |
3,5 |
| Itapúa |
6,7 |
6,1 |
3,2 |
3,0 |
3,5 |
3,0 |
| Misiones |
10,7 |
10,0 |
5,5 |
3,5 |
5,1 |
6,5 |
|
Paraguarí |
10,7 |
10,9 |
4,4 |
5,6 |
6,4 |
5,3 |
|
Alto Paraná |
4,0 |
3,7 |
2,3 |
1,8 |
1,7 |
1,9 |
| Central |
4,8 |
6,1 |
1,9 |
2,6 |
3,0 |
3,5 |
| Ñeembucú |
9,6 |
10,6 |
3,8 |
5,0 |
5,9 |
5,6 |
| Amambay |
4,8 |
5,1 |
2,4 |
1,7 |
2,4 |
3,4 |
| Canindeyú |
6,4 |
4,0 |
3,2 |
2,2 |
3,2 |
1,8 |
| Pdte.
Hayes |
3,9 |
4,2 |
1,1 |
2,6 |
2,8 |
1,6 |
| PARAGUAI |
6,9 |
7,0 |
3,1 |
3,3 |
3,9 |
3,7 |
|
Assim, de acordo
com a estrutura por idades, se pode confirmar o anteriormente
apontado para os menores de um ano e os maiores de 60, isto é,
que:
- Assunção apresenta a população mais idosa, seguida neste processo
pelo Departamento Central;
- a população menos jovem se encontra nos departamentos de povoamento
mais antigo, como é o caso de Paraguari, e
- as áreas de migração mais recentes reúnem a população mais jovem,
como é o caso dos departamentos de San Pedro, Caaguazú, Alto Paraná
e Itapúa.
As diferenças por sexo são menos importantes nestas variáveis.
Gráfico
1: População por faixa etária e sexo, em
departamentos selecionados.

3.
Posição na família
No
Paraguai, um terço da população ocupa a posição de chefe de domicílio,
proporção que corresponde a cenários demográficos jovens onde
a organização familiar ainda se mantém como organização social
básica. No período em estudo, esta situação tende a variar visto
que, enquanto no início do estudo (1995) um em quatro chefes de
domicílio era mulher, esta relação se reduz para um em cada três,
em 1999. A maior proporção de domicílios sob a responsabilidade
das mulheres cresceu durante o período em praticamente todos os
departamentos, com exceção daqueles onde havia sido encontrada
uma clara supremacia masculina, como é o caso de San Pedro, Caaguazú
e Caazapá. Uma maior presença de mulheres chefes de domicílio
implica que estão sendo registrados dois tipos de variações demográficas:
uma expectativa de vida mais prolongada para as mulheres, como
já foi dito; e variações na organização familiar, desde o grupo
tradicional estendido e completo até os grupos monoparentais,
em torno da mulher.
Os departamentos onde a presença de mulheres chefes de domicílio
é mais alta são Assunção, Itapúa, Misiones, Paraguari e Concepción
que, como já foi visto, são os que apresentam um índice de presença
feminina mais alto, seja porque são o destino dos movimentos migratórios
das mulheres ou porque são de expulsão masculina.
A juventude da população paraguaia volta a ser expressa pela idade
mediana dos chefes de domicílio que é também relativamente jovem,
mais nos homens do que nas mulheres. Isto tem relação, principalmente,
com a expectativa de vida mais prolongada das mulheres, que assumem
a chefia de domicílio quando ficam viúvas. Este fato coincide,
por sua vez, com a menor idade das mulheres na posição de cônjuges
(há uma diferença de idade de 12 anos entre mulheres cônjuges
e mulheres chefes de domicílio em 1999).
Tabela
6
Proporção de pessoas de 14 anos e mais, por posição
na família e sexo (1995 e 1999)
| Departamentos |
Chefes
de domicílio |
Cônjuge |
| Homens |
Mulheres |
Homens |
Mulheres |
| 1999 |
1995 |
1999 |
1995 |
1999 |
1995 |
1999 |
1995 |
| Asunción |
21,5 |
23,9 |
10,2 |
8,7 |
1,2 |
1,0 |
18,3 |
20,6 |
| Concepción |
24,3 |
26,5 |
9,3 |
7,6 |
0,5 |
1,4 |
23,7 |
24,3 |
| San
Pedro |
28,9 |
29,0 |
4,5 |
5,1 |
0,7 |
0,5 |
25,5 |
26,0 |
| Cordillera |
24,4 |
28,9 |
8,6 |
7,5 |
1,1 |
0,7 |
20,9 |
24,4 |
| Guairá |
25,6 |
27,1 |
9,3 |
8,7 |
0,3 |
- |
21,4 |
24,2 |
| Caaguazú |
26,3 |
30,2 |
6,2 |
6,2 |
0,5 |
1,0 |
23,8 |
26,9 |
| Caazapá |
27,0 |
29,0 |
6,5 |
6,4 |
1,4 |
0,6 |
24,6 |
24,7 |
| Itapúa |
25,7 |
32,1 |
10,0 |
5,7 |
2,6 |
0,5 |
21,3 |
28,8 |
| Misiones |
25,6 |
29,1 |
11,1 |
8,9 |
3,1 |
0,3 |
22,7 |
26,1 |
| Paraguarí |
26,3 |
26,5 |
10,8 |
8,3 |
0,6 |
0,4 |
23,1 |
23,4 |
| Alto
Paraná |
28,3 |
29,0 |
6,9 |
6,0 |
1,3 |
0,8 |
25,5 |
25,0 |
| Central |
26,8 |
27,8 |
8,7 |
7,2 |
1,6 |
1,4 |
24,2 |
24,8 |
| Ñeembucú |
28,3 |
28,0 |
7,1 |
9,1 |
0,3 |
1,6 |
27,1 |
26,1 |
| Amambay |
24,9 |
24,4 |
7,5 |
8,5 |
0,7 |
0,3 |
21,8 |
23,3 |
| Canindeyú |
32,2 |
30,6 |
7,0 |
5,3 |
- |
- |
26,0 |
27,6 |
| Pdte.
Hayes |
26,2 |
31,2 |
8,8 |
8,0 |
- |
1,2 |
25,1 |
27,6 |
| PARAGUAI |
26,1 |
28,0 |
8,3 |
7,1 |
1,2 |
0,9 |
23,2 |
24,8 |
|
Então, para
os casos em que esta tendência geral não se efetive, isto é, quando
as mulheres chefes de domicílio têm idades semelhantes às de seus
pares homens e/ou às mulheres cônjuges, se estaria na presença
de um fenômeno muito mais sócio-cultural do que demográfico. O
Sistema tem permitido observar, com mais clareza, chefes de domicílio
mulheres mais jovens nos departamentos de Itapúa e Misiones, seguidos
pelos departamentos de Cordillera e Alto Paraná. É nesses departamentos
que se pode supor a presença de mudanças na organização familiar
de sua população.
Assim como a tendência geral da posição das mulheres chefes de
domicílio é a de que as mulheres tenham mais idade do que os homens
chefes de domicílio; na posição de cônjuges os homens apresentam
um comportamento errático, uma vez que não são nem mais jovens
nem mais velhos do que as mulheres cônjuges.
Tabela
7
Idade mediana das pessoas de 14 anos e mais, por posição
na família e sexo (1995 e 1999)
| Departamentos |
Chefes
de domicílio |
Cônjuge |
| Homens |
Mulheres |
Homens |
Mulheres |
| 1999 |
1995 |
1999 |
1995 |
1999 |
1995 |
1999 |
1995 |
| Asunción |
48,0 |
45,0 |
55,0 |
55,0 |
43,0 |
| |