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Publicado: 03/10/2025

IBAM promove treinamento de compliance sobre racismo e assédio no ambiente de trabalho

O IBAM realizou, no âmbito de seu Programa de Compliance, um treinamento conduzido pela especialista Kloê Cardoso Siqueira, com a palestra “Racismo não é debate: é estrutura – Práticas para transformar o ambiente corporativo”.

A atividade teve como propósito aprofundar a compreensão sobre as raízes históricas e sociais do racismo, suas manifestações no dia a dia das organizações e os impactos negativos que ambientes excludentes podem gerar tanto para as pessoas quanto para os resultados institucionais.

Kloê, conhecida como “Preta do Petróleo”, é profissional do setor de Óleo e Gás, mestra em Logística pela PUC-Rio e palestrante em diversidade e inclusão. Em sua exposição, ela trouxe dados sobre desigualdades raciais no Brasil e no mercado de trabalho, destacando que a maioria da população brasileira é negra, mas ainda ocupa a minoria dos cargos de poder e liderança.

A palestrante ressaltou que ambientes não inclusivos aumentam o turnover (rotatividade), reduzem o engajamento e comprometem a performance organizacional, lembrando que estudos da McKinsey e da Great Place to Work apontam que empresas diversas são mais inovadoras, resilientes e apresentam melhores resultados financeiros.

Outro ponto de destaque foi a diferenciação entre injúria racial e racismo. Kloê explicou que a injúria racial consiste em ofensa individual direcionada à honra de uma pessoa, enquanto o racismo atinge toda uma coletividade, como ocorre na negação de acesso a determinados espaços. Ambos, hoje, são crimes graves, imprescritíveis e inafiançáveis. “A sociedade evolui e nós precisamos evoluir também. Não existe mais a possibilidade de nos portarmos de forma inadequada dentro do ambiente de trabalho. Brincadeiras, bordões, certas piadas… Aqui dentro nós somos profissionais e devemos nos portar como tal”, afirmou.

A especialista também abordou os temas assédio moral e assédio sexual, trazendo dados da Justiça do Trabalho e da OIT que demonstram a prevalência desses comportamentos, especialmente contra mulheres negras. Entre 2020 e 2023, foram julgados mais de 419 mil casos de assédio moral e sexual no Brasil, revelando a gravidade e a urgência do tema.

Como práticas institucionais, foram destacadas medidas como treinamentos contínuos, canais de denúncia seguros e eficazes, grupos de apoio e comissões de diversidade, além de programas de saúde mental que promovam acolhimento e bem-estar. A palestrante lembrou que a Lei nº 14.457/2022 ampliou as responsabilidades das empresas na prevenção ao assédio, exigindo estruturas formais de prevenção e de denúncia.

Por fim, Kloê enfatizou que a diversidade não deve ser tratada como favor ou concessão, mas como estratégia de negócio:

Quem trata inclusão como custo, paga depois em turnover, litígio e perda de mercado. Cada dado é uma história. Cada história é um chamado à ação. Equidade não é destino: é construção coletiva.

Com esta iniciativa, o IBAM reforça seu compromisso em promover um ambiente de trabalho ético, inclusivo e livre de discriminação, alinhado às melhores práticas de governança, integridade e respeito à dignidade humana.

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